O Manchester City vai tentar derrubar o veredito do caso que envolve suas finanças na Premier League com o que o jornal Telegraph descreve como 'provas irrefutáveis'. Entre torcedores ingleses, a notícia não gerou otimismo: gerou ironia.
Segundo o Telegraph, o clube detalhou publicamente o material que pretende usar para reverter a decisão. No r/soccer, o debate quase não passou pela força jurídica das provas: a discussão foi direto para a tese central de que o dinheiro do City não vem do dono, e sim do país do dono.
É aí que entra a voz das arquibancadas. Um torcedor resumiu o argumento com sarcasmo: o dinheiro não seria do proprietário, mas do país onde ele é da realeza, vice-presidente, presidente do banco central e dos fundos soberanos. Outros foram mais longe e lembraram que os mesmos pagamentos à Etihad, companhia aérea de Abu Dhabi, já teriam sido apresentados a reguladores diferentes de formas opostas — como subsídio estatal e como pagamento direto da ADUG. Um terceiro comentário resumiu a questão em termos simples: se o clube decide quanto seu 'patrocinador' paga, isso não é patrocínio de verdade.
O lado político também apareceu. Houve quem interpretasse o movimento como uma tentativa de forçar a Premier League a rejeitar a 'prova' apresentada pelo governo dos Emirados, insinuando consequências diplomáticas para o Reino Unido. Outros torcedores minimizaram esse peso: lembraram que o Reino Unido é o maior investidor internacional dos Emirados, enquanto os Emirados ficam fora do top 10 de quem investe no Reino Unido, e que dos £30 bilhões (cerca de R$ 225 bilhões) muito está preso em imóveis que não desaparecem da noite para o dia.
Do lado do processo, torcedores recordam que esse tipo de argumento já foi tentado antes e rejeitado por um comitê independente, justamente pelas conexões entre as partes. A aposta geral é de uma apelação curta — e barulhenta.
Voz da torcida
- “Calma, gente: o dinheiro não veio do dono. Veio só do país onde o dono é da realeza, é vice-presidente, presidente do banco central, dos fundos soberanos e da petroleira nacional. Totalmente diferente.”
- “Não sou advogado, mas a pergunta é uma só: o patrocinador é parte independente? Se o clube decide quanto o 'patrocinador' paga, isso não é patrocínio.”
- “Já tentaram esse argumento no primeiro julgamento e o comitê independente disse não: são conexões demais entre as partes.”
- “Viram £30 bilhões e surtaram. O Reino Unido investe muito mais nos Emirados do que o contrário — e boa parte disso está em imóveis que não somem da noite para o dia.”
- “Para um time que jura não ter ligação direta com a realeza, ameaçar levar a briga para a diplomacia é, no mínimo, engraçado.”
Se o comitê independente já disse 'não' a esse tipo de argumento uma vez, a torcida inglesa trata como certo que essa apelação será curta.
Guia rápido
- Etihad — companhia aérea de Abu Dhabi citada nos comentários como patrocinadora ligada ao Manchester City
- ADUG — sigla citada nos comentários para o grupo de Abu Dhabi relacionado ao City
- Regras financeiras da Premier League — limites de gastos e de patrocínio que os clubes precisam cumprir; o caso do City gira em torno deles
- Comitê independente — painel que julga acusações da Premier League contra clubes; segundo os comentários, analisou o caso inicial do City
A “voz da torcida” é adaptada das reações no tópico do r/soccer. Fonte: tópico original (Reddit)